
Após 25 anos e 25 milhões de mortes, o relatório do Unaids (Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids) mostrou que, pela primeira vez, houve uma estagnação mundial na propagação da epidemia. Atualmente são 38,6 milhões de pessoas contaminadas pela doença e o número absoluto de infectados só aumenta devido ao crescimento populacional e pelo prolongamento da vida dos soropositivos através de terapias à base de antiretrovirais.
No Brasil são cerca de 620 mil infectados, a maior população de soropositivos da América Latina. Segundo a Unaids, o Brasil é um exemplo na distribuição de medicamentos aos portadores do vírus. Das 209 mil pessoas que necessitam da terapia antiretroviral, 170 mil recebem o tratamento.
Contudo, segundo o diretor do Instituto de Saúde de São Paulo, Alexandre Grangeiro, a atual política de antiretrovirais pode comprometer outros programas do Ministério da Saúde. Grangeiro e Paulo Teixeira, ex-diretor do programa brasileiro para a Aids, publicaram um estudo na Revista de Saúde Pública o qual dizia: “A tendência de aumento da proporção do PIB e das despesas federais com saúde destinadas à aquisição de antiretrovirais demonstra que a sustentabilidade da política de acesso aos medicamentos será garantida apenas se o país crescer a uma taxa anual de 6%, cenário que se mostra pouco provável”.
Como a economia brasileira não apresenta sintomas de tamanho crescimento, é preciso que o governo brasileiro procure outras maneiras para manter a atual qualidade e abrangência do tratamento fornecido à sua população de soropositivos. A quebra de patente, considerada legal em situações de emergência de saúde pública, é uma opção já bastante discutida. Mas em todas as negociações entre governo e os laboratórios, chegou-se a um acordo e o problema continua assombrando àqueles que dependem do tratamento.


